INTRODUÇÃO: A dor associada à hérnia de disco lombar é uma das principais manifestações da radiculopatia lombar e importante causa de limitação funcional e sofrimento clínico. Embora a compressão mecânica da raiz nervosa seja central, evidências recentes mostram participação de mecanismos inflamatórios, neuroquímicos e funcionais, exigindo abordagem terapêutica mais ampla que o simples controle sintomático. Nesse cenário, o manejo atual valoriza estratégias clínicas escalonadas, individualizadas e guiadas por evidências, como tratamento conservador, terapias intervencionistas minimamente invasivas e novas propostas biológicas de modulação da dor. OBJETIVOS: Compreender as principais abordagens clínicas não cirúrgicas no tratamento da dor decorrente da hérnia de disco lombar, avaliando benefícios, limitações e aplicabilidade na prática médica atual. METODOLOGIA: Realizou-se revisão sistemática da literatura nas bases PubMed e Scopus, utilizando os descritores “Intervertebral Disc Displacement” e “Pain Management”, associados pelo operador booleano “AND”. Foram aplicados filtros para artigos com texto completo gratuito, publicados nos últimos cinco anos e em língua inglesa. Incluíram-se estudos sobre estratégias contemporâneas de manejo clínico da dor por hérnia de disco lombar. RESULTADOS: O manejo clínico mostrou-se multimodal, envolvendo terapias conservadoras, intervenções minimamente invasivas e estratégias biológicas. As abordagens conservadoras promoveram redução significativa da dor, associada à modulação de citocinas inflamatórias, como IL-1? e IL-8. As injeções epidurais demonstraram eficácia consistente no alívio da dor e melhora funcional, com maior evidência para as vias transforaminal e interlaminar, destacando-se a superioridade da terapia perirradicular em relação à infiltração facetária. O plasma rico em plaquetas apresentou eficácia semelhante aos corticosteroides em dor e funcionalidade, com perfil de segurança favorável. A associação entre radiofrequência pulsada e ácido alfa-lipoico resultou em maiores taxas de sucesso clínico e melhora funcional. Estratégias recentes também sugerem que a modulação da resposta inflamatória pode favorecer a reabsorção do material herniado. Tecnologias emergentes, como nanotecnologia e biomateriais inteligentes, mostraram resultados promissores, embora ainda com evidências limitadas. CONCLUSÃO: O manejo da dor na hérnia de disco lombar deve ser multimodal e escalonado, tendo as terapias conservadoras como primeira linha. Em casos refratários, intervenções minimamente invasivas apresentam benefício consistente, enquanto terapias emergentes ampliam as opções terapêuticas. Assim, consolida-se um modelo de cuidado integrado e centrado no paciente, com indicação cirúrgica mais restrita e necessidade de maior padronização das novas abordagens.