INTRODUÇÃO: A Doença de Alzheimer (DA) é a principal causa de demência no mundo e apresenta crescimento progressivo no Brasil, em razão do envelhecimento populacional. Trata-se de enfermidade neurodegenerativa crônica associada ao aumento das hospitalizações e da mortalidade, gerando impactos no sistema público de saúde. A análise da morbimortalidade relacionada à doença permite compreender padrões epidemiológicos e subsidiar o planejamento de ações voltadas ao cuidado da população idosa. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico das internações e dos óbitos por DA no Brasil, no período de 2016 a 2025, considerando regiões, sexo e faixa etária. METODOLOGIA: Estudo epidemiológico, descritivo e retrospectivo com dados secundários do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), retirados do DATASUS. Foram incluídos registros de internações e óbitos entre 2016 e 2025, analisados segundo região geográfica, sexo e faixa etária, por meio do cálculo de frequências absolutas e relativas, além da razão entre óbitos e internações. RESULTADOS E DISCUSSÃO: Foram registradas 16.195 internações por DA no Brasil de 2016 a 2025, das quais 3.673 evoluíram para óbito. A região Sudeste concentrou o maior número de internações, correspondendo a 49,9% do total, além de apresentar relação óbitos/internações de 26,9%, com pico de mortalidade observado em 2025 (n=276). Esse achado é compatível com estudos sobre disparidades regionais em demências, que apontam maior proporção de idosos e acesso a serviços de saúde nas regiões mais desenvolvidas. Em contraste, a região Norte apresentou os menores registros, com 543 internações e 84 óbitos, o que pode estar relacionado a subnotificações geradas por desigualdades estruturais e menor acesso aos serviços diagnósticos, impactando os registros no SIH/ SUS. No que tange à faixa etária, a população acima dos 60 anos representou 96,6% das internações (n=15.659) e 98,8% dos óbitos (n=3.629), com maior mortalidade observada no grupo com 80 anos ou mais. Esse resultado reforça a associação entre DA e a idade avançada, descrita na literatura, refletindo o envelhecimento populacional e o aumento da incidência da doença em faixas etárias mais elevadas. Quanto ao sexo, observou-se predominância feminina nas internações e nos óbitos, sendo 64,7% das internações (n=10.474) e 64,7% dos óbitos (n=2.378). Esse padrão é consistente com outros estudos, frequentemente associada à maior expectativa de vida feminina e à maior proporção de mulheres entre os idosos longevos. CONCLUSÕES: A maior concentração de hospitalizações e mortalidades por DA foi observada na região Sudeste, além de maior impacto entre idosos e no sexo feminino. Isso reforça a associação entre o aumento da expectativa de vida e a maior ocorrência da doença. Logo, o estudo contribui para monitorar grupos vulneráveis, subsidiando estratégias em saúde voltadas à redução da morbimortalidade por DA.