INTRODUÇÃO: As doenças cardiovasculares constituem a principal causa de morbimortalidade no Brasil, tradicionalmente associadas a indivíduos idosos. Entretanto, observa-se aumento do infarto agudo do miocárdio (IAM) em adultos jovens, sugerindo mudança no perfil epidemiológico da doença. Esse fenômeno relaciona-se à maior exposição precoce a fatores de risco modificáveis, como sedentarismo, obesidade e alterações metabólicas, configurando relevante problema de saúde pública. Entretanto, ainda são limitadas análises nacionais que avaliem a evolução dessas taxas em adultos jovens ao longo do tempo. OBJETIVOS: Analisar a tendência temporal das taxas de internação por IAM em adultos jovens no Brasil entre 2013 e 2024, segundo sexo e região. MÉTODOS: Estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo, com delineamento de série temporal, utilizando dados do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS) e estimativas populacionais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Incluíram-se internações por IAM (CID-10: I21) em indivíduos de 20 a 39 anos, entre 2013 e 2024. As variáveis analisadas foram ano de internação, sexo e região. Calculou-se a taxa por 100.000 habitantes e realizou-se análise de tendência temporal. Por se tratar de dados secundários de domínio público, não houve necessidade de aprovação pelo Comitê de Ética. Dados de 2024 podem estar sujeitos a atualizações. RESULTADOS: Foram registradas 51.292 internações por IAM em adultos jovens no Brasil, com aumento de 69,8%, de 3.127 casos em 2013 para 5.309 em 2024. Observou-se tendência ascendente tanto em números absolutos quanto nas taxas por 100.000 habitantes, mais acentuada a partir de 2019. O sexo masculino concentrou 72,9% das internações. Verificou-se crescimento proporcional no sexo feminino, indicando expansão do agravo em ambos os grupos. O Sudeste concentrou 47,2% dos casos, seguido por Nordeste (20,1%) e Sul (17,4%). Norte e Centro-Oeste apresentaram menores proporções, porém com crescimento. Observou-se discreta redução em 2024, possivelmente relacionada à incompletude dos dados. Esse padrão sugere antecipação do risco cardiovascular na população jovem. CONCLUSÃO: Evidencia-se aumento expressivo das taxas de internação por IAM em adultos jovens no Brasil, com tendência ascendente, predomínio masculino e maior concentração no Sudeste. Os achados indicam mudança no perfil epidemiológico e reforçam a necessidade de estratégias preventivas direcionadas a essa população, com ênfase na redução de fatores de risco modificáveis e no diagnóstico precoce.