INTRODUÇÃO: A ascensão da Candida auris à categoria de prioridade crítica pela OMS reflete um desafio crescente na última década. Diferente de outras leveduras, este fungo apresenta tropismo cutâneo e predomínio nosocomial que dificultam sua erradicação. Essa persistência é sustentada por mecanismos como a High-Osmolarity Glycerol (HOG), que protege o patógeno contra a dessecação, e a formação de biofilmes que permitem sua viabilidade por mais de 14 dias. O problema é ampliado pela ineficácia de desinfetantes comuns, como o amônio quaternário (AQ), que falham em eliminar essas colônias e favorecem a recontaminação. Compreender a eficácia dos métodos de desinfecção é uma estratégia fundamental para atenuar a gravidade dessa situação. OBJETIVOS: Analisar a eficácia de estratégias de desinfecção e descontaminação de superfícies na contenção de surtos hospitalares por C. auris. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão bibliográfica na base PubMed com os descritores (“Candida auris”) AND (“disinfection” OR “decontamination” OR “cleaning” OR “UV-C” OR “bleach”). Também foram aplicados os filtros free full text e publicações de 2016 a 2025. Após a triagem, 89 artigos foram identificados, dos quais 60 foram selecionados para análise. RESULTADOS: Os dados revelam que a C. auris possui alta persistência ambiental, colonizando superfícies de contato e equipamentos móveis. Isso é potencializado por biofilmes secos em aço e polímeros, que garantem maior viabilidade e conferem tolerância superior às células planctônicas. Observou-se falha sistemática do AQ contra biofilmes maduros. Em contrapartida, agentes oxidantes como hipoclorito de sódio, peróxido de hidrogênio e ácido peracético mostraram-se eficazes, embora a matriz do biofilme possa limitar a penetração. Na antissepsia, a povidona-iodada a 10% superou o gluconato de clorexidina em tempos de 30-60 segundos. A radiação UV-C exibiu eficácia dose-dependente, porém exigiu doses superiores às da C. albicans, sendo a triangulação de emissores vital contra zonas de sombra. Estratégias inovadoras, como uso de cloreto de sódio comprimido e óleos essenciais lipossomais, reduziram a carga fúngica em intervalos curtos. Por fim, o monitoramento por RT-qPCR viabilizou a detecção de células vivas em 5 horas, superando a cultura tradicional. CONCLUSÃO: Os dados demonstram que o controle da C. auris depende da superação de protocolos de higiene tradicionais, dada a resistência dos biofilmes aos AQ. A contenção de surtos baseia-se na adoção de agentes oxidantes de alto nível e no uso de tecnologias adjuvantes, como a radiação UV-C em configurações que mitiguem zonas de sombra. Estratégias de desinfecção passiva e o monitoramento via RT-qPCR constituem ferramentas eficazes para uma resposta rápida. Conclui-se que a transição para métodos de desinfecção contínua e tecnologicamente assistida apresenta-se como o caminho viável para mitigar a persistência ambiental do fungo e assegurar a segurança em unidades críticas.