INTRODUÇÃO: A sífilis, infecção sexualmente transmissível pela bactéria Treponema pallidum, permanece como um grave desafio à saúde pública, especialmente devido ao risco de transmissão vertical. Em Goiás, o DATASUS aponta para um crescimento na incidência das formas gestacional e congênita, o que revela deficiências na assistência pré-natal e no tratamento precoce. Nesse contexto, a análise epidemiológica é fundamental para identificar padrões e fundamentar estratégias de vigilância e controles eficazes. OBJETIVO: Analisar o perfil epidemiológico da sífilis em Goiás entre 2020 e 2024, segundo variáveis sociodemográficas, clínicas e temporais, identificando o perfil dos casos de sífilis congênita, gestacional e adquirida e sua relevância para a saúde pública estadual. METODOLOGIA: Trata-se de estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo, com abordagem quantitativa, baseado em dados secundários do DATASUS, por meio do sistema TABNET, Foram analisados registros de sífilis adquirida, gestacional e congênita em Goiás, entre 2020 e 2024.As variáveis incluíram sexo, faixa etária, escolaridade, município de residência, evolução dos casos e classificação clínica. Excluíram-se registros com informações incompletas ou inconsistentes. Realizou-se análise temporal com cálculo de frequências absolutas e relativas. Os dados foram organizados e analisados para identificação de padrões epidemiológicos no período estudado recente. RESULTADOS: A análise dos dados do DATASUS evidenciou aumento da sífilis em Goiás entre 2020 e 2023, com discreta redução em 2024. A sífilis adquirida concentrou-se em homens (65,1%; n=6.419) e adultos jovens de 20–39 anos (62,1%; n=6.125), com maior ocorrência em centros urbanos, indicando maior vulnerabilidade desse grupo. Apesar da baixa letalidade (<0,2%), observou-se queda relevante na taxa de cura, de 68,5% (n=5.630) em 2022 para 52,0% (n=5.132) em 2023, associada ao aumento de registros ignorados na evolução (31,2%; n=2.567 em 2022 para 47,7%; n=4.702 em 2023), sugerindo fragilidades no seguimento, na qualidade da informação e na assistência. Na sífilis congênita, houve oscilação dos casos, com predominância da forma recente (96,2%; n=752 em 2023) e de nascidos vivos (92,7%; n=697), mas manutenção de óbitos evitáveis (3,1%; n=23), indicando falhas no pré-natal. Entre gestantes, os casos aumentaram até 2023, com predomínio de mulheres de 20–39 anos (77,1%; n=2.256) e da forma latente (36,7%; n=1.073), sugerindo diagnóstico tardio. CONCLUSÃO: A análise evidenciou tendência crescente da sífilis em Goiás, associada a determinantes sociodemográficos e fragilidades assistenciais no pré-natal, impactando a ocorrência de casos congênitos. Os achados delineiam o perfil epidemiológico e subsidiam o aprimoramento de estratégias de vigilância, rastreamento e manejo clínico oportuno.