INTRODUÇÃO: A concussão esportiva é uma lesão cerebral traumática funcional, frequente em esportes de contato, cujo diagnóstico é desafiador pela ausência de alterações em exames de imagem. A identificação precoce é essencial para evitar complicações e retorno inadequado às atividades. Nesse contexto, o Consenso de Amsterdã 2022 surge como referência internacional, trazendo atualizações relevantes. Torna-se, portanto, importante compreender como a produção científica recente tem incorporado essas recomendações. OBJETIVO: Analisar como a literatura científica recente aborda as atualizações propostas pelo Consenso de Amsterdã 2022 na concussão esportiva. METODOLOGIA: Trata-se de revisão sistemática da literatura, conduzida conforme PRISMA. A busca foi realizada na base PubMed com os descritores (“sport-related concussion” OR “concussion in sport” OR “sports concussion”) AND (“Amsterdam” OR “consensus statement” OR “Concussion in Sport Group” OR CRT6 OR SCAT6 OR SCOAT6) AND (diagnosis OR assessment OR management OR “return to sport”), com filtro para publicações a partir de 2023 e texto completo gratuito. Foram identificados 27 estudos, dos quais 8 foram excluídos após triagem. Após leitura na íntegra, 10 estudos foram incluídos por apresentarem relação direta com as atualizações do Consenso de Amsterdã 2022. RESULTADOS: Os estudos evidenciaram achados em consonância com o consenso. No diagnóstico, o relato de sintomas apresentou elevada acurácia (AUC > 0,9), enquanto testes cognitivos isolados demonstraram menor sensibilidade, com cerca de 45% dos atletas concussos apresentando escores normais. Na avaliação clínica, foram descritas alterações autonômicas, como aumento da frequência cardíaca na ortostase, além da identificação de subtipos sintomáticos persistentes (neurocognitivo, emocional, vestibular e migranoso). No manejo, destacaram-se estratégias de retorno gradual ao esporte e adaptações conforme modalidade e perfil do atleta. Por outro lado, observou-se heterogeneidade entre protocolos, com parte das entidades sem diretrizes estruturadas. Ferramentas como SCAT6 e SCOAT6 apresentam limitações práticas, especialmente quanto ao tempo de aplicação. Estratégias preventivas mostraram resultados variáveis, incluindo redução aproximada de 30% em contextos específicos, além de dificuldades na aplicação das recomendações em populações como paratletas. CONCLUSÃO: As atualizações do Consenso de Amsterdã 2022 reforçam a importância de uma abordagem clínica mais abrangente e individualizada da concussão esportiva. Contudo, a literatura evidencia limitações na aplicação prática dessas recomendações.