INTRODUÇÃO: A epilepsia resistente a medicamentos (ERM) é definida pela persistência das crises epilépticas mesmo após o uso adequado de pelo menos dois fármacos antiepilépticos (FAEs), corretamente indicados e bem tolerados. Estima-se que essa condição afete entre 15.000 e 30.000 indivíduos anualmente nos Estados Unidos. A ERM está associada à redução da qualidade de vida, com prejuízos cognitivos, alterações comportamentais, comorbidades psiquiátricas e limitações funcionais. Além disso, há aumento da morbimortalidade. Diante da refratariedade ao tratamento farmacológico, novas abordagens terapêuticas vêm sendo investigadas. Nesse contexto, destaca-se a neuroestimulação não invasiva, especialmente a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), técnica que utiliza correntes elétricas de baixa intensidade para modular a excitabilidade cortical. Evidências sugerem redução da atividade epileptiforme e da frequência das crises, com bom perfil de segurança. OBJETIVO: Avaliar a eficácia e a segurança das técnicas de neuroestimulação não invasiva no controle de crises em pacientes com epilepsia refratária. METODOLOGIA: Revisão sistemática da literatura na base PubMed, utilizando os descritores “neuromodulation non invasive” AND “refractory epilepsy”. Aplicaram-se os filtros “free full text” e “humans”. Foram identificados 26 estudos, dos quais 12 foram excluídos por não atenderem aos critérios, resultando em 14 estudos incluídos. RESULTADOS: A tDCS foi a técnica mais investigada, com redução significativa da frequência de crises, especialmente com estimulação catódica, associada à diminuição da excitabilidade cortical. Observou-se redução de descargas epileptiformes em EEG, sugerindo efeito direto sobre circuitos epileptogênicos. Ensaios clínicos e metanálises demonstraram perfil de segurança favorável, com efeitos adversos leves, como prurido e eritema local. Estudos também indicam modulação de redes cerebrais e possíveis biomarcadores preditores de resposta. Técnicas emergentes, como a estimulação por interferência temporal, mostram potencial na modulação de estruturas profundas. Entretanto, há heterogeneidade metodológica, com variações nos parâmetros e amostras reduzidas. CONCLUSÃO: A neuroestimulação não invasiva, especialmente a tDCS, apresenta resultados promissores no controle da epilepsia refratária, com redução das crises e bom perfil de segurança. Contudo, são necessários estudos mais robustos e padronizados para consolidar sua aplicação clínica.