INTRODUÇÃO: A Inteligência Artificial (IA) expandiu-se no cotidiano, integrando tarefas simples e complexas. O uso frequente pode favorecer a terceirização de funções cognitivas, fenômeno associado à amnésia digital e fadiga cognitiva. A facilidade de acesso à informação e a recompensa imediata influenciam circuitos de motivação e atenção, com possíveis impactos no córtex pré-frontal, central para funções executivas. Por outro lado, quando mediada por alfabetização informacional, a IA pode atuar como prótese cognitiva benéfica. OBJETIVOS: Explorar a IA como ferramenta de terceirização cognitiva, analisando seus efeitos como suporte ou substituição de funções cognitivas na aprendizagem. MÉTODOS: Revisão sistemática conforme diretrizes PRISMA. A busca nas bases PubMed e SciELO combinou descritores controlados, como Descritores em Ciências da Saúde (DeCS) e Medical Subject Headings (MeSH). No PubMed, utilizou-se: (“Artificial Intelligence” OR “Digital Technology”) AND (“Cognitive Offloading” OR “Digital Amnesia” OR “Transactive Memory”). Na SciELO, aplicou-se estratégia ampliada: (“Inteligência Artificial”) AND (“Memória” OR “Cognição”), visando sensibilidade regional. Sem filtro temporal ou de idioma, a busca identificou 32 registros no PubMed e 13 na SciELO. Após triagem por critérios de elegibilidade (estudos primários com avaliação objetiva de funções mnésicas), os registros da SciELO foram excluídos por não apresentarem desfechos neurocognitivos mensuráveis. No PubMed, excluíram-se revisões, artigos de opinião e estudos sem avaliação direta da memória. A amostra final incluiu 4 estudos primários quantitativos, avaliados por instrumentos padronizados de risco de viés. RESULTADOS: Os estudos indicaram que o uso frequente de tecnologias digitais e ferramentas de IA associa-se a maior terceirização cognitiva, com repercussões sobre memória, atenção e autonomia do pensamento. Observou-se associação entre dependência tecnológica e amnésia digital, com pior desempenho em tarefas que exigem evocação e recuperação ativa de informações. Em estudantes, o uso intenso de smartphones e IA associou-se à menor necessidade percebida de memorização interna. Além disso, a dependência de IA mostrou relação com menor engajamento crítico, possivelmente mediada por fadiga cognitiva. Por outro lado, o offloading cognitivo demonstrou efeito positivo quando utilizado de forma estratégica, reduzindo a carga mental de tarefas simples e liberando recursos para atividades mais complexas. Em contextos educacionais, o uso de IA generativa associou-se a melhor desempenho acadêmico quando mediado por uso ativo e metacognição. CONCLUSÃO: A terceirização cognitiva na era da IA apresenta caráter ambivalente, podendo otimizar o desempenho ou associar-se a menor engajamento mnésico quando usada de forma excessiva e passiva. Os achados reforçam a importância do uso crítico e regulado da IA, mantendo estratégias de aprendizagem ativa e processamento autônomo da informação.