INTRODUÇÃO: O envelhecimento populacional impulsiona o aumento da participação da pessoa idosa no mercado de trabalho, configurando um fenômeno ambivalente. Embora o trabalho favoreça integração social, estímulo cognitivo e qualidade de vida, sua manutenção frequentemente decorre de vulnerabilidade econômica. Além disso, a ausência de planejamento para a aposentadoria e o etarismo associam-se a desfechos negativos em saúde mental, tornando essencial compreender essa dinâmica para subsidiar políticas públicas. OBJETIVO: Analisar os impactos da permanência da população idosa no mercado de trabalho sobre a saúde mental e a qualidade de vida, considerando seus efeitos protetores e fatores de risco. METODOLOGIA: Trata-se de uma revisão sistemática da literatura. A busca foi realizada nas bases BVS/LILACS e SciELO, utilizando os descritores “Aged” AND (“Employment” OR “Retirement”) AND (“Mental Health” OR “Quality of Life”) AND “Brazil”, combinados por operadores booleanos. Foram aplicados filtros para artigos publicados entre 2020 e 2025, com texto completo disponível. Inicialmente, foram identificados 67 estudos. Após remoção de duplicatas, triagem por títulos e resumos e leitura na íntegra, foram excluídos estudos fora do contexto brasileiro, com população não idosa, foco indireto ou sem relação central com trabalho, aposentadoria, saúde mental e qualidade de vida. Ao final, 8 estudos compuseram a amostra final. RESULTADOS: Os estudos incluídos evidenciaram que a permanência da pessoa idosa no trabalho e a transição para a aposentadoria apresentam repercussões ambivalentes sobre a saúde mental e a qualidade de vida. Em condições favoráveis, o trabalho esteve associado a bem-estar, satisfação com a vida, integração social, senso de utilidade e manutenção da autonomia. Também foram identificadas relações entre melhores condições de trabalho, maior capacidade funcional e participação laboral prolongada. Por outro lado, quando a permanência ocorreu por necessidade econômica, aposentadoria compulsória ou em contextos de vulnerabilidade, observaram-se associações com insegurança, sofrimento psíquico, desconforto diante da perda do papel produtivo e pior adaptação ao envelhecimento. Além disso, os estudos destacaram que renda, saúde percebida, capacidade para o trabalho, apoio social e condições laborais influenciam diretamente os desfechos em saúde mental e qualidade de vida. CONCLUSÃO: A permanência da pessoa idosa no mercado de trabalho constitui determinante relevante da saúde mental e da qualidade de vida, com efeitos dependentes das condições em que ocorre. Quando associada à autonomia e a ambientes adequados, atua como fator protetor; em contextos desfavoráveis, relaciona-se a piora dos desfechos. Assim, torna-se fundamental desenvolver estratégias que potencializem seus benefícios e reduzam os impactos da vulnerabilidade.