INTRODUÇÃO: O transtorno por uso de opioides na gestação tem aumentado significativamente, configurando relevante problema de saúde pública, sobretudo pelos desfechos maternos e neonatais adversos (Abdelwahab et al., 2022). Nesse contexto, a buprenorfina é terapia de primeira linha; contudo, sua formulação subcutânea de liberação prolongada, embora proporcione maior estabilidade farmacocinética, ainda carece de evidências quanto à segurança perinatal. Ademais, persistem lacunas sobre a transferência para o leite materno e impactos neonatais, ressaltando sua relevância científica (Nelson-Rodriguez et al., 2025). OBJETIVOS: Avaliar farmacocinética, transferência ao leite materno e efeitos neonatais da buprenorfina subcutânea de liberação prolongada em gestantes com transtorno por opioides. METODOLOGIA: A metodologia consistiu em revisão sistemática, alinhada ao objetivo de avaliar farmacocinética, transferência ao leite materno e desfechos neonatais da buprenorfina subcutânea de liberação prolongada em gestantes com transtorno por uso de opioides. A busca ocorreu nas bases PubMed, Embase, Scopus e Web of Science, entre 2020 e 2026, com os descritores “subcutaneous buprenorphine” AND “pregnancy” AND “opioid use disorder” AND “breast milk” OR “lactation”. Dois revisores independentes realizaram triagem, elegibilidade e extração de dados. Incluíram-se estudos originais pertinentes; excluíram-se revisões, populações inadequadas e dados incompletos. O risco de viés foi avaliado pela escala Newcastle-Ottawa, e realizou-se síntese narrativa, sem metanálise.RESULTADOS: Os resultados evidenciaram que, conquanto a amostra tenha sido reduzida, a buprenorfina subcutânea de liberação prolongada demonstrou níveis maternos estáveis e baixa transferência ao leite materno, com exposição neonatal mínima. Outrossim, observou-se variabilidade nos desfechos neonatais, incluindo prematuridade e síndrome de abstinência, sem associação causal inequívoca. Ademais, terapias comparativas mostraram perfis semelhantes de segurança. Não obstante, a limitação amostral, heterogeneidade metodológica e ausência de metanálise restringem a robustez inferencial, embora os achados mantenham coerência teórico-metodológica e clareza analítica. CONCLUSÃO: Dessarte, conclui-se que a buprenorfina subcutânea de liberação prolongada apresenta perfil promissor, com baixa transferência ao leite materno e exposição neonatal limitada, atendendo ao objetivo proposto; contudo, evidências ainda são escassas, exigindo estudos mais robustos para consolidar sua segurança.