INTRODUÇÃO: A doença de Chagas (DC) é uma enfermidade infecciosa causada pelo Trypanosoma cruzi, sua ocorrência está relacionada a fatores inerentes ao agente e ao hospedeiro, como a capacidade de infecção do parasita e a vulnerabilidade da população exposta. Apesar dos avanços no controle vetorial, a persistência de casos, especialmente na forma aguda, evidencia desafios relacionados à vigilância epidemiológica, diagnóstico precoce e controle das formas de transmissão, incluindo a via oral. OBJETIVOS: Analisar o perfil epidemiológico da doença de Chagas aguda no Brasil no período de 2014 a 2024. MÉTODOS:Trata-se de um estudo epidemiológico descritivo, retrospectivo e quantitativo, realizado a partir de dados secundários de domínio público do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizados pelo Ministério da Saúde. Foram analisados os casos confirmados de doença de Chagas aguda o ano de início dos sintomas, sexo e região de notificação, no período de 2014 a 2024. Por se tratar de dados públicos, não houve necessidade de aprovação pelo Comitê de Ética. RESULTADOS: No período analisado, foram notificados 3.955 casos de doença de Chagas aguda no Brasil, sendo 2.126 em homens (53,7%) e 1.829 em mulheres (46,3%). Em relação à distribuição temporal, observou-se um crescimento entre 2014 (209 casos) e 2019 (385 casos), com redução em 2020 (168 casos) e posterior aumento, atingindo pico em 2023 (543 casos) e mantendo-se elevado em 2024 (520 casos). Quanto à distribuição geográfica, houve predomínio expressivo na região Norte, especialmente no estado do Pará, responsável pela maior parte dos casos (3.189; aproximadamente 80,6%), seguido por estados como Amapá (295) e Amazonas (149), enquanto as demais regiões apresentaram baixa frequência e caráter esporádico de ocorrência. CONCLUSÃO: Evidencia-se tendência de aumento dos casos de doença de Chagas aguda no Brasil ao longo da série histórica, com impacto de fatores externos na notificação e manutenção de níveis elevados nos anos recentes. Os achados reforçam a necessidade de fortalecimento das estratégias de vigilância epidemiológica, controle das formas de transmissão e ampliação do diagnóstico precoce, visando reduzir a incidência e as complicações associadas à doença.