As medidas coercivas em saúde mental continuam a constituir um dos temas mais controversos da prática clínica, devido à tensão entre a necessidade de garantir a segurança e o respeito pela autonomia e dignidade do doente. A sua utilização levanta questões éticas, legais e terapêuticas, sendo fundamental compreender as atitudes dos profissionais de saúde e as experiências vivenciadas pelos doentes. Este estudo teve como objetivo analisar criticamente a literatura científica sobre a utilização de medidas coercivas em contexto de saúde mental, com foco nas atitudes dos profissionais e nas experiências dos doentes. Trata-se de uma revisão narrativa da literatura. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, CINAHL e PsycINFO, utilizando descritores relacionados com medidas coercivas, saúde mental, atitudes profissionais e experiências dos doentes. Foram incluídos artigos em português e inglês, independentemente do desenho metodológico. Após aplicação dos critérios de seleção e leitura integral dos textos relevantes, foram incluídos cinco estudos: quatro estudos de revisão da literatura e um ensaio clínico randomizado. Os resultados evidenciam que os profissionais tendem a percecionar as medidas coercivas como necessárias em situações de crise, sobretudo por razões de segurança, ainda que reconheçam os seus dilemas éticos. Por outro lado, os doentes relatam frequentemente experiências negativas, associadas a sentimentos de perda de controlo, desrespeito e sofrimento emocional. A comunicação terapêutica e a empatia emergem como fatores fundamentais para mitigar impactos adversos. Conclui-se que a compreensão integrada das diferentes perspetivas é essencial para promover práticas mais éticas, seguras e centradas na pessoa, incentivando estratégias de prevenção e redução do recurso a medidas coercivas em saúde mental como medidas de redução de escalada.