A saúde mental dos estudantes do ensino superior tem vindo a assumir centralidade nas agendas académicas e de saúde pública, na medida em que esta etapa do ciclo de vida coincide com transições desenvolvimentais, pressões académicas e, para muitos, mudanças de contexto social e económico. A literatura internacional documenta prevalências relevantes de sintomas depressivos e ansiosos, ideação suicida e sofrimento psíquico, bem como lacunas persistentes na procura de ajuda profissional, frequentemente associadas a estigma, baixa literacia em saúde mental e barreiras de acesso. Este capítulo oferece uma análise teórica e de discussão, ancorada em evidência recente, sobre determinantes e trajetórias do sofrimento psíquico em estudantes do ensino superior, articulando fatores individuais (ex.: vulnerabilidades prévias, estratégias de coping, sono e consumo de álcool) e fatores contextuais (ex.: carga letiva, avaliações, clima institucional, violência e assédio). A Enfermagem é mobilizada como foco exemplificativo, dado o perfil de exigência emocional e a exposição precoce a contextos clínicos. Como ilustração empírica, apresentam-se resultados selecionados de um inquérito realizado junto de estudantes de Enfermagem de uma instituição portuguesa, recolhidos entre 10 de outubro e 31 de dezembro de 2024, evidenciando níveis não negligenciáveis de sintomatologia ansiosa e depressiva, experiências de assédio e padrões de consumo de álcool. Discutem-se implicações para políticas e práticas institucionais, enfatizando abordagens de “whole-university”, prevenção multinível, ambientes académicos psicologicamente seguros e integração curricular de competências socioemocionais.