A violência contra crianças constitui um grave problema de saúde pública, com consequências significativas no desenvolvimento físico, emocional e social, sendo amplamente reconhecida como prevenível através da promoção da parentalidade positiva e da educação não violenta. Neste contexto, os enfermeiros assumem uma posição preponderante na promoção da saúde familiar, na capacitação dos cuidadores e na prevenção da violência infantil, particularmente junto de famílias em situação de vulnerabilidade social. A presente revisão integrativa da literatura teve como objetivo sintetizar a evidência científica sobre intervenções promotoras da parentalidade positiva e da educação não violenta em famílias em situação de vulnerabilidade social, com enfoque na identificação das intervenções de enfermagem dirigidas à sua promoção. A revisão foi conduzida com base no referencial metodológico de Whittemore e Knafl (2005). A pesquisa foi realizada nas bases de dados MedLine Complete, CINAHL Ultimate, Scopus, Psychology and Behavioral Science Collection, MedicLatina, Cochrane Database of Systematic Reviews e Web of Science, bem como no Google Scholar e no Repositório Científico de Acesso Aberto de Portugal, tendo sido incluídos seis estudos publicados entre 2017 e 2024. Os resultados evidenciam que as intervenções identificadas se centram maioritariamente no empowerment parental e na promoção da educação não violenta, incluindo estratégias como educação parental, visitas domiciliárias, vídeo-feedback e programas estruturados de parentalidade. As famílias participantes apresentavam diferentes formas de vulnerabilidade social, nomeadamente baixo rendimento, residência em contextos rurais, envolvimento com serviços de proteção infantil e acesso limitado a recursos e apoio social. Conclui-se que as intervenções promotoras da parentalidade positiva demonstram potencial para fortalecer as competências parentais e prevenir a violência infantil em contextos de vulnerabilidade social. Contudo, verifica-se uma escassez de estudos centrados especificamente na intervenção de enfermagem, evidenciando a necessidade de reforçar a investigação nesta área e de incrementar estas intervenções na prática clínica.