Os problemas ligados ao álcool constituem um dos principais desafios de saúde pública a nível global, com impacto significativo na morbilidade, mortalidade e nos custos sociais e económicos associados. Em contextos de países de baixo e médio rendimento, a limitação de recursos especializados e a escassez de formação específica dos profissionais de saúde reforçam a importância de estratégias preventivas baseadas na capacitação e na promoção da literacia em saúde. A psicoeducação em saúde assume, neste enquadramento, um papel central na prevenção, deteção precoce e intervenção nos problemas ligados ao álcool. O presente estudo teve como objetivo avaliar o impacto de uma formação semiestruturada em psicoeducação sobre problemas ligados ao álcool dirigida a estudantes e profissionais de saúde em São Tomé e Príncipe. Foi realizado um estudo quantitativo, quase-experimental, com avaliação pré e pós-intervenção, através da aplicação de um questionário de conhecimentos composto por 10 itens de resposta “verdadeiro”, “falso” ou “não sei”. A amostra foi constituída por 108 participantes, maioritariamente do sexo feminino, com idade média de 26,4 anos. Os resultados evidenciaram um aumento significativo das respostas corretas após a formação, acompanhado por uma redução expressiva das respostas erradas e das respostas de desconhecimento. A melhoria foi particularmente relevante no reconhecimento de conceitos fundamentais da alcoologia e de instrumentos de rastreio precoce, como o AUDIT. Estes resultados reforçam a relevância da psicoeducação estruturada como ferramenta eficaz de capacitação dos profissionais de saúde e como eixo fundamental das estratégias de prevenção dos problemas ligados ao álcool em contextos de saúde pública.