Este capítulo analisa como ambientes urbanos contemporâneos amplificam a sobrecarga sensorial em adultos com Transtorno do Espectro Autista (TEA), articulando evidências provenientes da neurociência, psicologia ambiental, saúde ambiental, neuroarquitetura e estudos qualitativos em primeira pessoa. A revisão narrativa crítica, abrangendo publicações entre 2019 e 2025, demonstra que ruído, poluição visual e atmosférica, densidade populacional, iluminação agressiva e ausência de áreas restauradoras são fatores que intensificam estados de estresse, dificultam a autorregulação e reduzem a participação social de pessoas autistas. Os resultados mostram que ambientes de saúde, transporte público e espaços de grande circulação apresentam altos índices de imprevisibilidade sensorial, contribuindo para episódios de sobrecarga sensorial, shutdown e retraimento. Ao mesmo tempo, evidências sobre ambientes restauradores e projetos de arquitetura sensorialmente responsiva indicam caminhos para a criação de cidades mais inclusivas e reguladoras. Conclui-se que a acessibilidade sensorial é componente essencial da saúde ambiental e da equidade urbana, demandando políticas públicas, formação profissional e intervenções urbanísticas que reconheçam a diversidade neurológica como princípio estruturante para promover qualidade de vida no autismo adulto.