O consumo de alimentos ultraprocessados (AUPs) na infância tem crescido expressivamente nas últimas décadas, configurando-se como um desafio de saúde pública. Este estudo teve como objetivo analisar o padrão de consumo de AUPs entre crianças de 5 a 9 anos no município de Itaituba (PA), com base nos dados do Sistema de Vigilância Alimentar e Nutricional (SISVAN), no período de 2020 a 2024. Trata-se de uma pesquisa quantitativa, descritiva e documental, com dados secundários provenientes da Atenção Primária à Saúde. Os resultados apontaram prevalências elevadas e persistentes de consumo de ultraprocessados, variando de 83% (2020) a 78% (2024), com pico de 87% em 2021. Embora se observe uma leve redução nos últimos anos, o nível de consumo permanece acima das recomendações do Guia Alimentar para a População Brasileira e da Organização Mundial da Saúde. Entre os fatores associados estão a urbanização, a publicidade direcionada ao público infantil e a substituição de alimentos regionais por produtos industrializados. Conclui-se que o enfrentamento desse cenário exige ações intersetoriais, com fortalecimento da Educação Alimentar e Nutricional, do Programa Nacional de Alimentação Escolar e da valorização da agricultura familiar, de modo a promover uma alimentação infantil mais saudável e sustentável na região amazônica.