O presente trabalho descreve trajetória da saúde mental no Brasil, observando as transformações no conceito de sofrimento psicológico e nas práticas assistenciais das pessoas afligidas pelo sofrimento psíquico. No início do século XX, predominava um modelo pautado no isolamento dos “alienados” em instituições asilares, esse paradigma segregador consolidou-se com a fundação dos primeiros hospitais psiquiátricos, refletindo uma abordagem excludente e desumanizadora, que via o sofrimento psíquico sob a ótica do controle social e da medicalização, em vez de considerar as singularidades dos sujeitos envolvidos. Nas últimas décadas, porém, a compreensão da saúde mental passou por um importante redirecionamento, impulsionado por movimentos sociais, pela Reforma Psiquiátrica e pela luta antimanicomial. A autonomia do sujeito ganhou centralidade e passou a ser entendida de forma relacional, implicando construção conjunta de sentidos, reconhecimento da voz do paciente e promoção de espaços terapêuticos acolhedores. Assim, a atenção em saúde mental, mais inclusiva e democrática, busca superar desigualdades históricas de gênero, raça e classe, valorizando a capacidade de agência dos indivíduos em contextos marcados por profundas assimetrias sociais.