Este relato defende a escrevivência, conceito de Conceição Evaristo para a escrita gestada na vivência, como um ato político de resistência epistêmica contra o idadismo. A prática é analisada a partir do pensamento interseccional de Collins (2022), que revela como a opressão etária se cruza com marcadores de raça, gênero e classe, produzindo silenciamentos específicos. A escrevivência opera assim uma insurgência dupla: contra a visão reducionista do envelhecer e contra a hierarquia dos saberes que desqualifica narrativas marginalizadas. Ao iluminar as interseções entre corpo, memória e desejo, ela permite que sujeitos que envelhecem reescrevam suas histórias, reinscrevendo no espaço público as experiências que o preconceito tenta apagar. Fundamentada nos saberes situados (Haraway, 1995), essa prática literária descoloniza o imaginário social sobre a velhice (Munanga, 2020). Portanto, a escrevivência consolida-se como um dispositivo sensível e transformador, que, ao conferir autoria e visibilidade, convoca um pacto ético de reconhecimento, construindo as bases para um horizonte social interseccional e anti-idadista.