As doenças autoimunes resultam de falhas na tolerância imunológica, levando o sistema imune a atacar tecidos próprios e provocar inflamação multissistêmica. Entre elas, o Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) destaca-se por sua etiologia multifatorial, envolvendo fatores genéticos, hormonais e ambientais, e por apresentar manifestações cutâneas ou sistêmicas. Uma de suas complicações mais relevantes é a miocardite, caracterizada por inflamação do miocárdio, disfunção contrátil e risco de arritmias e insuficiência cardíaca. Esta revisão analisou a associação entre LES e miocardite com base em estudos consultados em PubMed, UpToDate, SciELO e Google Acadêmico, com foco em diagnóstico e manejo. Observou-se que a miocardite lúpica está relacionada à presença de autoanticorpos, deposição de imunocomplexos e liberação de citocinas inflamatórias. A biópsia cardíaca permanece como padrão-ouro diagnóstico, embora exames como a ressonância magnética cardíaca apresentem alta sensibilidade. O tratamento combina imunossupressores, glucocorticoides e manejo das complicações cardíacas, incluindo suporte avançado em casos graves. No âmbito da educação em saúde, compreender a fisiopatologia e os sinais clínicos dessa condição melhora a identificação precoce e fortalece o cuidado interprofissional, além de estimular ações educativas que promovem adesão terapêutica e reconhecimento de sinais de alerta, contribuindo para melhores desfechos clínicos.