O empreendedorismo liderado por mulheres negras no Brasil é uma ferramenta estratégica no enfrentamento das desigualdades, gerando impactos econômicos, sociais e culturais profundos, especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste (Sebrae, 2024). Suas iniciativas atuam na promoção da Segurança e Soberania Alimentar (SAN) por meio da Agroecologia, fortalecendo a economia de proximidade e resgatando saberes ancestrais. Contudo, a atuação dessas líderes é sistematicamente limitada por barreiras estruturais. A exclusão financeira (58% de negação de crédito) e a informalidade persistem, manifestando a lógica da necropolítica (Mbembe, 2018) que relega esses negócios à precarização. O racismo estrutural impõe preconceito e desvalorização cultural, impedindo a expansão para mercados formais. A superação desses desafios exige que as políticas públicas de SAN e Assistência Social incorporem a interseccionalidade de raça e gênero, reconhecendo que a população negra, majoritariamente feminina, é o público mais vulnerável à Insegurança Alimentar Grave. O verdadeiro empoderamento requer apoio sistêmico - crédito equitativo e formalização - para transformar a resistência em sustentabilidade plena e construir uma sociedade mais justa e equânime.