O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) manifesta-se predominantemente na infância e adolescência, períodos críticos para o desenvolvimento neurocognitivo e escolar. Evidências científicas apontam que crianças e adolescentes com TDAH apresentam alterações significativas na produção e regulação de neuroquímicos, especialmente dopamina e noradrenalina, fundamentais para os processos de atenção, controle inibitório e autorregulação emocional. Estudos de neuroimagem demonstram redução funcional do transportador de dopamina (DAT), afetando tanto o controle atencional quanto a estabilidade do ciclo vigília-sono. Paralelamente, observa-se alta prevalência de distúrbios do sono nesses indivíduos, como dificuldade para iniciar o sono, despertares noturnos e atraso de fase circadiana. Essas alterações resultam em sono fragmentado ou insuficiente, prejudicando a consolidação da memória, a plasticidade neuronal e o funcionamento das funções executivas aspectos essenciais para a aprendizagem. Na adolescência, o atraso fisiológico do ritmo circadiano intensifica ainda mais a vulnerabilidade ao déficit de sono, exacerbando sintomas do TDAH e potencializando dificuldades acadêmicas. Assim, a interação entre neuroquímica alterada, padrões de sono disfuncionais e sintomas comportamentais configura um ciclo que afeta diretamente o desempenho escolar e o desenvolvimento global. Compreender essa relação é fundamental para a formulação de intervenções clínicas e educacionais eficazes durante essas fases do desenvolvimento.