A segurança alimentar e nutricional constitui um dos pilares centrais da saúde coletiva, especialmente em um cenário marcado por desigualdades persistentes, impactos da pandemia de COVID-19, retrações nas políticas públicas e transformações no ambiente alimentar. Este estudo analisou 32 publicações recentes identificadas na Biblioteca Virtual em Saúde, selecionadas após busca estruturada com os descritores “saúde coletiva” e “segurança alimentar”, com filtros para texto completo, bases MEDLINE e LILACS, idiomas português e inglês, período de 2020 a 2025 e exclusão de revisões e guias. Os resultados evidenciam que a insegurança alimentar decorre de múltiplos determinantes, incluindo condições socioeconômicas, políticas de austeridade, precarização do trabalho, desigualdades territoriais e mudanças ambientais. Os estudos destacam impactos relevantes sobre populações vulnerabilizadas, como trabalhadores precarizados, famílias acompanhadas pela Estratégia Saúde da Família, comunidades quilombolas e moradores de grandes centros urbanos. Observou-se ainda que a segurança alimentar se articula diretamente com a promoção da saúde, o direito humano à alimentação adequada e a intersetorialidade das políticas públicas. Conclui-se que o fortalecimento da segurança alimentar exige abordagens integradas que considerem território, participação social, políticas estáveis e promoção da equidade, reafirmando sua centralidade para a saúde coletiva.