O racismo constitui um determinante estruturante das desigualdades em saúde e exerce influência direta sobre os indicadores de morbimortalidade da população negra no Brasil. Este estudo realizou uma revisão integrativa na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) com o objetivo de identificar evidências recentes sobre os efeitos do racismo nos desfechos de saúde. Foram analisadas 20 publicações, selecionadas após aplicação de filtros de texto completo, bases de dados, idioma, período de publicação e tipo de estudo. Os resultados evidenciam que o racismo estrutural, institucional e interpessoal opera por meio de mecanismos que atravessam os determinantes sociais da saúde, ampliando vulnerabilidades relacionadas ao território, ao trabalho, à pobreza e à insegurança alimentar. Também se observou que mulheres negras enfrentam maior risco de violência obstétrica, pré-natal inadequado e pior acesso aos serviços. A pandemia de COVID-19 destacou a natureza letal das desigualdades raciais, refletida em maiores taxas de mortalidade entre pessoas negras. Estudos epidemiológicos reforçaram que a discriminação racial está associada à pior autoavaliação de saúde, maior carga de doenças crônicas e menor acesso a cuidados oportunos. Conclui-se que enfrentar o racismo é condição essencial para reduzir mortes evitáveis e promover equidade no sistema de saúde brasileiro.