Esta revisão integrativa da literatura analisou que a telemedicina e a telessaúde se consolidaram na Atenção Primária à Saúde (APS) após a pandemia de COVID-19, ampliando o acesso e a resolutividade. Contudo, seu sucesso e qualidade dependem criticamente do letramento em saúde digital (Digital Health Literacy), que é a capacidade de usuários e profissionais de compreender e utilizar as ferramentas digitais de forma segura e eficaz. Os resultados confirmam que a telessaúde é uma prática viável, mas o nível de letramento digital de indivíduos e equipes é o determinante crítico da adesão e da satisfação com o cuidado. Usuários com baixo letramento, frequentemente de grupos vulneráveis (idosos, baixa escolaridade), enfrentam maiores barreiras de acesso e risco de descontinuidade do cuidado, potencializando iniquidades. Desafios persistentes incluem as desigualdades digitais, a falta de capacitação contínua para profissionais e a integração incompleta dos fluxos híbridos (presencial/remoto) nas rotinas dos serviços. Assim, a consolidação da saúde digital na APS exige a adoção do letramento em saúde digital como eixo estratégico central nas políticas públicas, combinando investimento em infraestrutura com formação e inclusão digital para garantir um cuidado remoto seguro, equitativo e sustentável.