A inteligência artificial (IA) vem transformando de forma acelerada a Medicina, com aplicações em diagnóstico, prognóstico, monitorização, planejamento terapêutico e gestão de serviços de saúde. Entre essas inovações, destacam-se os chatbots – agentes conversacionais baseados em processamento de linguagem natural (PLN) – utilizados como assistentes virtuais para triagem, esclarecimento de dúvidas, suporte ao autocuidado, educação em saúde e acompanhamento de pacientes. Em muitas dessas soluções, os núcleos de IA são compostos por redes neurais artificiais, em especial arquiteturas de aprendizado profundo (deep learning), que permitem reconhecer padrões complexos em grandes volumes de dados textuais e de fala e gerar respostas em linguagem natural. Este capítulo tem como objetivo analisar criticamente o uso de chatbots de inteligência artificial na Medicina, discutindo seus principais tipos, aplicações clínicas e organizacionais, o papel das redes neurais em sua construção, benefícios potenciais, limitações tecnológicas, desafios éticos e regulatórios, bem como perspectivas futuras. Trata-se de uma revisão narrativa fundamentada em revisões amplas sobre IA em Medicina e dispositivos médicos, com destaque para aplicações de PLN e modelos neurais que possibilitam a interação entre pacientes, profissionais e sistemas conversacionais automatizados. Conclui-se que os chatbots constituem ferramentas promissoras para apoiar o cuidado centrado no paciente e a gestão em saúde, mas sua adoção segura e efetiva exige evidências clínicas robustas, supervisão profissional, governança de dados e marcos regulatórios sólidos, especialmente diante da opacidade e dos vieses associados a redes neurais profundas.