Este capítulo apresenta a bioética como campo interdisciplinar relacionado às escolhas, aos direitos e às responsabilidades presentes no cuidado em saúde. O objetivo é explicar por que questões bioéticas dizem respeito não apenas aos profissionais, mas também aos pacientes, familiares, gestores e à sociedade. A análise parte da distinção entre ética, moral, deontologia e bioética, percorre o desenvolvimento histórico do campo e discute sua função como ponte entre conhecimento científico e valores humanos. Em seguida, examina dignidade, direitos humanos, respeito à pessoa e participação nas decisões, articulando o principialismo às particularidades do contexto brasileiro. O Sistema Único de Saúde é abordado a partir de seus compromissos com universalidade, integralidade e equidade, enquanto a Bioética de Intervenção e a Bioética de Proteção ampliam a reflexão para desigualdades, vulnerabilidades e responsabilidades institucionais. O capítulo também relaciona bioética, educação em saúde e Vigilância em Saúde, compreendendo a formação ética como processo contínuo e vinculado às situações reais de cuidado. Por fim, introduz o Estatuto dos Direitos do Paciente como marco normativo capaz de aproximar valores bioéticos de garantias concretas. Conclui-se que a bioética não oferece respostas automáticas, mas qualifica a análise dos problemas, favorece a escuta das pessoas envolvidas e exige justificativas transparentes para decisões que afetam a vida, a saúde e a dignidade.