Este capítulo analisa os princípios da autonomia, beneficência, não maleficência e justiça como referências para decisões concretas em saúde. Seu objetivo é traduzir o principialismo para linguagem acessível, sem reduzir os princípios a fórmulas automáticas ou hierarquias fixas. A autonomia é discutida por meio do direito à informação, da participação nas decisões, do consentimento informado, da recusa de procedimentos, da capacidade decisória, da escolha de representante, das diretivas antecipadas de vontade e da segunda opinião. A beneficência é examinada como dever de promover benefício segundo as necessidades e os valores da pessoa, incluindo cuidado integral, alívio do sofrimento e proporcionalidade das intervenções. A não maleficência é relacionada à prevenção de danos físicos, emocionais, informacionais e institucionais, à segurança do paciente e à proteção da privacidade. A justiça é abordada a partir da equidade, da não discriminação, da transparência na distribuição de recursos e da atenção às vulnerabilidades. Situações educativas demonstram que os princípios podem entrar em tensão e precisam ser ponderados à luz de fatos clínicos, direitos, preferências, riscos e condições institucionais. O Estatuto dos Direitos do Paciente é integrado à discussão como referência normativa para informação, consentimento, confidencialidade, acesso ao prontuário, diretivas antecipadas e participação. Conclui-se que decisões bioeticamente responsáveis dependem de diálogo, análise contextual e justificativa compartilhada.