Este capítulo discute dilemas bioéticos presentes no cuidado cotidiano e em contextos de alta complexidade. O objetivo é demonstrar que conflitos éticos não se restringem às Unidades de Terapia Intensiva, podendo surgir em consultas, internações, atendimentos domiciliares, unidades básicas, ambulatórios e relações familiares. São examinados sigilo, confidencialidade, exposição indevida de informações, prontuário, proteção de dados, comunicação de diagnósticos, consentimento, recusa de tratamento, presença de estudantes, capacidade decisória e representação. A análise inclui conflitos entre a vontade do paciente e as expectativas familiares, respeito a crenças culturais e religiosas, terminalidade, limitação de suporte terapêutico, obstinação terapêutica, cuidados paliativos, alocação de recursos, preconceito, discriminação e vulnerabilidade social. Casos educativos fictícios são utilizados para evidenciar valores em conflito, direitos envolvidos, possíveis danos e alternativas de encaminhamento, sem reproduzir situações identificáveis da pesquisa empírica. O Estatuto dos Direitos do Paciente orienta a abordagem de privacidade, confidencialidade, consentimento, não discriminação, diretivas antecipadas e participação nos cuidados. A discussão destaca que reconhecer um dilema exige separar fatos, valores, normas e interesses, além de identificar quem precisa ser ouvido e quais instâncias podem apoiar a decisão. Essa organização permite aproximar conceitos acadêmicos das escolhas concretas enfrentadas por profissionais, pacientes e familiares. Conclui-se que a deliberação bioética deve combinar prudência, proporcionalidade, comunicação qualificada, proteção de vulnerabilidades e respeito à dignidade.