Este capítulo examina a dimensão coletiva da decisão ética em saúde. O objetivo é demonstrar que a qualidade moral do cuidado depende da interação entre profissionais, pacientes, familiares, gestores e instituições, não podendo ser atribuída exclusivamente a uma única categoria. Discute-se a diferença entre multiprofissionalidade e interprofissionalidade, ressaltando que a presença de diversas profissões somente se converte em cuidado integrado quando existem comunicação, escuta, corresponsabilização e reconhecimento mútuo. A tomada de decisão compartilhada é apresentada como processo que articula evidências clínicas, preferências do paciente, participação familiar e deliberação da equipe. Também são analisadas assimetrias hierárquicas, silenciamento profissional, clima ético institucional e sofrimento moral, entendidos como fatores que podem facilitar ou impedir a aplicação dos princípios bioéticos. O capítulo relaciona segurança do paciente e humanização, e examina rounds interdisciplinares, safety huddles, comitês de bioética, consultoria ética e canais institucionais de manifestação como dispositivos de apoio. O Estatuto dos Direitos do Paciente reforça informação acessível, participação, acompanhante, segunda opinião e respeito às escolhas. Orientações práticas são oferecidas a profissionais, pacientes e familiares, incluindo confirmação da compreensão, registro das decisões, comunicação de valores e uso adequado dos canais de apoio. Conclui-se que decisões eticamente justificáveis exigem espaços seguros de diálogo e responsabilidade institucional.