Este capítulo analisa a importância da bioética no campo da Vigilância em Saúde, com ênfase na interdependência entre a segurança dos profissionais e a segurança dos usuários. Parte-se da Política Nacional de Vigilância em Saúde, que define a vigilância como função essencial e transversal do Sistema Único de Saúde, e de referenciais bioéticos que articulam autonomia, beneficência, não maleficência, justiça, proteção e responsabilidade institucional. A discussão propõe o conceito de segurança em dupla via: condições de trabalho inseguras, sobrecarga, violência, riscos ocupacionais, falhas de comunicação e clima ético desfavorável afetam o trabalhador e ampliam a possibilidade de danos assistenciais; de modo recíproco, processos clínicos frágeis, ausência de aprendizagem com incidentes e desrespeito aos direitos dos pacientes também produzem sofrimento moral e exposição profissional. São abordados segurança do paciente, saúde do trabalhador, cultura justa, notificação, segurança psicológica, proteção de dados, equidade, comunicação de riscos e governança institucional. O capítulo integra o Estatuto dos Direitos do Paciente, a Política Nacional de Saúde do Trabalhador e da Trabalhadora, a NR-32, o Programa Nacional de Segurança do Paciente e orientações internacionais. Casos educativos, quadros e checklists demonstram como identificar riscos, analisar incidentes, proteger informações, apoiar profissionais e envolver usuários. Conclui-se que a Vigilância em Saúde se fortalece quando observa simultaneamente quem recebe e quem presta o cuidado, transforma dados em aprendizagem e organiza respostas preventivas, equitativas e eticamente justificáveis.