A utilização de medicamentos classificados como de alta vigilância representa uma das etapas mais sensíveis da assistência em saúde, em virtude do elevado potencial desses fármacos de provocar danos graves quando falhas ocorrem em sua prescrição, preparo, administração ou monitoramento clínico. Nesse contexto, a análise bioética do processo de medicação torna-se fundamental para compreender os riscos assistenciais associados ao uso desses medicamentos e suas implicações para a segurança do paciente e para a proteção da população assistida. Este capítulo tem como objetivo analisar o uso de medicamentos de alta vigilância sob a perspectiva bioética, discutindo os riscos assistenciais relacionados ao processo de medicação e o papel da educação em saúde na promoção da segurança do paciente e na proteção da saúde física da população assistida. Trata-se de estudo qualitativo de natureza descritivo-analítica, desenvolvido por meio de revisão bibliográfica e documental em bases de dados científicas e documentos institucionais nacionais e internacionais. A análise evidencia que eventos adversos relacionados ao uso de medicamentos de alta vigilância resultam de fatores multifatoriais que envolvem dimensões técnicas, organizacionais, éticas e informacionais. Conclui-se que a articulação entre bioética, segurança do paciente, educação em saúde e vigilância em saúde constitui abordagem estratégica para reduzir riscos assistenciais e fortalecer a proteção da população assistida.