O consumo de cigarros eletrônicos e narguilé entre jovens universitários tem se consolidado como uma prática socialmente situada, atravessada por dinâmicas de pertencimento, identidade e sociabilidade. Este capítulo analisa como esses dispositivos operam não apenas como formas de uso de substâncias, mas como marcadores culturais que estruturam interações e reforçam vínculos no contexto da vida universitária. A partir de uma revisão bibliográfica, buscou-se a compreensão dos padrões de consumo, motivações, contextos de uso, percepção de risco e influências sociais associadas. Os resultados evidenciam que o uso ocorre predominantemente em situações coletivas, sendo fortemente mediado pela presença de pares e por ambientes recreativos. Observa-se uma dissociação entre o reconhecimento dos riscos à saúde e a preocupação efetiva com o consumo, indicando processos de normalização cultural dessas práticas. Além disso, fatores como convivência com amigos, hábitos familiares e associação com o consumo de álcool mostraram-se relevantes para a adesão e manutenção do uso. Conclui-se que o cigarro eletrônico e o narguilé funcionam como dispositivos de socialização e expressão identitária, demandando estratégias de prevenção que considerem as dimensões simbólicas e relacionais que sustentam seu consumo entre jovens.