A infância e a adolescência de indivíduos com altas habilidades/superdotação (AH/SD) são marcadas por processos desenvolvimentais singulares, frequentemente acompanhados de elevada sensibilidade e intensidade emocional. Esta revisão integrativa da literatura objetivou analisar como as representações sociais sobre a superdotação se relacionam com a manifestação e a invisibilidade do sofrimento psíquico nesse público. Os resultados evidenciam uma contradição entre o mito social da invulnerabilidade e a realidade de uma maior prevalência de problemas internalizantes, como ansiedade e depressão. O sofrimento emerge da interação entre fatores intrínsecos (hipersensibilidade, assincronia) e respostas ambientais inadequadas (práticas parentais negativas, subestimulação escolar). As representações estereotipadas contribuem para a negligência dessas demandas, dificultando o reconhecimento e o cuidado. Conclui-se que é urgente desconstruir esses mitos e promover intervenções proativas que acolham a experiência interior integral dessas crianças e adolescentes, equilibrando o desenvolvimento intelectual com o suporte socioemocional.