A úlcera venosa está associada à insuficiência venosa crónica, constituindo um problema de saúde pública relevante, caracterizado por uma elevada prevalência, um impacto significativo na qualidade de vida e custos elevados para os sistemas de saúde. A cicatrização tende a ser prolongada e está associada a elevadas taxas de recorrência, especialmente em casos de baixa adesão ao tratamento. Objetivos: descrever a evolução clínica de um utente portador de úlcera venosa crónica, acompanhado em contexto domiciliário, e evidenciar o papel da terapia compressiva multicomponente e da intervenção de enfermagem na cicatrização e na melhoria da qualidade de vida. Metodologia: estudo de caso clínico, descritivo e observacional, realizado com um utente de 74 anos portador de úlcera venosa, que incluiu uma avaliação clínica, registos fotográficos seriados, a aplicação da escala RESVECH 2.0 e a avaliação da dor. Resultados: a úlcera cicatrizou ao fim de 132 dias, associada à aplicação de terapia compressiva multicomponente, aos cuidados adequados ao leito da ferida e à intervenção educativa orientada para a adesão terapêutica. Conclusão: a terapia compressiva é fundamental no tratamento da úlcera venosa, sendo determinante para a cicatrização e prevenção de recidivas. A intervenção de enfermagem no domicílio, centrada numa abordagem holística e baseada na evidência científica, mostrou-se eficaz na resolução de uma ferida crónica complexa.