O encarceramento feminino apresenta especificidades frequentemente negligenciadas pelas políticas penitenciárias, especialmente no que se refere à saúde mental. Muitas mulheres privadas de liberdade possuem trajetórias marcadas por violência de gênero, exclusão social e experiências traumáticas, que tendem a se intensificar no contexto prisional. Diante desse cenário, o presente estudo analisa a escrita terapêutica, por meio do uso de cadernos individuais, como estratégia de cuidado em saúde mental no cárcere feminino. Trata-se de uma pesquisa de abordagem qualitativa, com apoio de dados quantitativos descritivos, desenvolvida em uma unidade prisional feminina no estado do Rio de Janeiro. Participaram da proposta 40 mulheres, de um total de 212 internas assistidas na unidade. Os resultados indicam que a escrita favorece a expressão emocional, a elaboração do sofrimento psíquico e a reconstrução de narrativas pessoais, funcionando como espaço simbólico de escuta de si e de resistência subjetiva. Conclui-se que a escrita terapêutica constitui uma prática acessível e potente de cuidado, contribuindo para a promoção da saúde mental e para a valorização da subjetividade no contexto prisional.