A avaliação clínica de crianças e adolescentes com Altas Habilidades/Superdotação (AH/S) pode ser dificultada pela sobreposição fenomenológica com o Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o Transtorno do Espectro Autista (TEA), elevando o risco de diagnósticos equivocados, subdiagnósticos e atrasos terapêuticos. Este capítulo analisa os principais desafios do diagnóstico diferencial nesse continuum neurodesenvolvimental, com ênfase no mascaramento sintomatológico e no fenômeno da “dupla excepcionalidade”, em que altas habilidades coexistem com TDAH e/ou TEA. Discute-se como características da AH/S (hiperfoco, inquietação contextual, tédio por subestimulação e assincronia socioemocional) podem mimetizar desatenção e hiperatividade, e como dificuldades sociais, interesses específicos e rigidez podem se aproximar do perfil de TEA de alto funcionamento. A revisão destaca que a imprecisão diagnóstica impacta diretamente a saúde mental, associando-se a maior sofrimento psíquico, ansiedade, depressão, baixa autoestima, isolamento e prejuízo escolar. Conclui-se pela necessidade de abordagem multidimensional, integrando história do desenvolvimento, avaliação socioemocional, funções executivas, contexto escolar e instrumentos padronizados, a fim de orientar intervenções mais precisas e protetoras.