O Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (CAPSi) é um dispositivo fundamental da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS), voltado ao cuidado de crianças e adolescentes em sofrimento psíquico grave e persistente. Este estudo teve como objetivo descrever a experiência de atuação como plantonista em um CAPSi de um município da Grande São Paulo, considerando as demandas atendidas e sua gravidade para permanência ou não no serviço. Trata-se de um relato de experiência, de abordagem qualitativa e caráter descritivo, baseado na vivência cotidiana no plantão. Os resultados evidenciaram a diversidade e complexidade das demandas, incluindo tentativas de suicídio, comportamentos autolesivos, violência doméstica, transtornos mentais e vulnerabilidade social. A escuta qualificada e o trabalho multiprofissional mostraram-se fundamentais para o acolhimento e definição de condutas. Observou-se sobrecarga do plantonista, especialmente quando atuando sozinho, além de fragilidades na articulação da rede e ausência de retaguarda noturna adequada. A implantação de dois plantonistas favoreceu o fluxo de atendimento. Conclui-se que o plantão no CAPSi é essencial para o manejo de crises, mas requer investimentos na qualificação da rede, ampliação de recursos e fortalecimento das práticas intersetoriais.