O presente artigo analisa os fundamentos e as condições de efetivação do bilinguismo na educação de surdos, considerando as relações entre as formulações teóricas, os direitos linguísticos e as práticas desenvolvidas no cotidiano escolar. Objetiva-se compreender como a Língua Brasileira de Sinais (Libras), reconhecida como primeira língua dos estudantes surdos, e a língua portuguesa escrita, ensinada como segunda língua, devem organizar o currículo, a mediação pedagógica e os processos de avaliação. Desenvolveu-se uma pesquisa qualitativa, de natureza bibliográfica e caráter teórico-reflexivo, fundamentada em vinte artigos científicos sobre educação bilíngue, políticas linguísticas, formação docente, aquisição da linguagem e ensino de português para surdos. A análise evidencia que a educação bilíngue não se limita à presença de duas línguas na escola, pois exige ambientes de interação em Libras, profissionais qualificados, participação da comunidade surda, materiais acessíveis e metodologias coerentes com a visualidade. Os resultados também demonstram que, apesar dos avanços legais, permanecem distanciamentos entre a teoria e a prática, expressos na insuficiência de professores fluentes em Libras, na dependência excessiva do intérprete, na manutenção de métodos destinados aos ouvintes e na fragilidade do ensino de português como segunda língua. Conclui-se que a consolidação da educação bilíngue depende da reorganização institucional das escolas, do fortalecimento da formação inicial e continuada e da adoção de práticas que assegurem participação, aprendizagem, autonomia e respeito à identidade linguística e cultural dos estudantes surdos.