Este artigo analisa as articulações entre família e escola no processo de escolarização de estudantes surdos, com ênfase nos desafios linguísticos e na construção de práticas colaborativas. Trata-se de um estudo bibliográfico, de abordagem qualitativa, fundamentado em produções acadêmicas que discutem a educação de surdos, a aquisição da Língua Brasileira de Sinais (Libras), as interações familiares e as políticas de educação bilíngue. A análise evidencia que a maioria das crianças surdas nasce em famílias ouvintes, circunstância que pode dificultar o acesso precoce a uma língua plenamente acessível e comprometer a comunicação, o desenvolvimento linguístico e a participação escolar. No contexto educacional, a presença do estudante surdo na escola regular não assegura, isoladamente, sua inclusão, especialmente quando faltam profissionais qualificados, recursos visuais, práticas pedagógicas bilíngues e reconhecimento da Libras como primeira língua. Os estudos também demonstram que a aproximação entre família, escola e comunidade surda favorece decisões linguísticas mais conscientes e amplia as possibilidades de aprendizagem. Conclui-se que a escolarização dos estudantes surdos exige responsabilidades compartilhadas, diálogo permanente e ações colaborativas que respeitem suas especificidades linguísticas, culturais e educacionais.