O alcoolismo é um transtorno crônico que provoca impactos significativos na saúde e na vida social dos indivíduos, e as altas taxas de recaída evidenciam a necessidade de alternativas terapêuticas complementares. A ayahuasca, bebida de origem tradicional amazônica composta por DMT e beta-carbolinas, tem despertado interesse científico pelo seu potencial em modular processos emocionais, cognitivos e neurobiológicos relacionados ao uso de álcool. Esta revisão integrativa analisou estudos publicados entre 2015 e 2025 nas bases PubMed/MEDLINE e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), selecionando 11 artigos que investigaram a aplicação terapêutica da ayahuasca no manejo do transtorno por uso de álcool (AUD). Os resultados mostram que a ayahuasca pode contribuir para a redução do consumo de álcool, diminuição do craving, melhora do bem-estar emocional e fortalecimento de aspectos comportamentais envolvidos no processo de recuperação. As evidências indicam que seu uso, quando realizado em contextos supervisionados, pode complementar modelos terapêuticos já existentes, ampliando estratégias de redução de danos e motivação para a mudança. No entanto, persistem limitações importantes, como amostras pequenas, ausência de ensaios clínicos randomizados e dependência de autorrelatos, o que restringe a generalização dos achados. Conclui-se que a ayahuasca apresenta potencial terapêutico promissor no tratamento do alcoolismo, mas ainda requer estudos controlados, padronização das preparações e avaliações mais rigorosas de segurança para consolidar sua eficácia e orientar recomendações clínicas confiáveis.