O Lúpus Eritematoso Sistêmico (LES) é uma doença autoimune crônica que acomete predominantemente mulheres em idade reprodutiva, tornando a gestação e a lactação períodos de especial atenção clínica e farmacoterapêutica. Objetivou-se analisar as evidências científicas sobre o manejo farmacoterapêutico do LES durante a gestação e a lactação, com abordagem na segurança dos medicamentos, nos desfechos materno-fetais e nas recomendações das diretrizes vigentes. Trata-se de uma revisão integrativa realizada em março e abril de 2026, nas bases PubMed/MEDLINE e BVS/LILACS, com descritores MeSH e DeCS combinados pelos operadores booleanos AND e OR. Foram incluídos estudos publicados entre 2017 e 2025, em português, inglês ou espanhol, com texto completo disponível, abordando mulheres adultas com LES durante a gestação e/ou lactação, com foco em farmacoterapia. A seleção seguiu as recomendações do PRISMA 2020 e o nível de evidência foi avaliado pelo Oxford Centre for Evidence-Based Medicine. Diante da busca, treze estudos foram incluídos, publicados entre 2017 e 2025, com delineamentos variados. A hidroxicloroquina mostrou-se o medicamento mais consistentemente recomendado, com evidências de redução da atividade lúpica, prevenção de pré-eclâmpsia e segurança neonatal, desde que a adesão ao tratamento seja mantida. O ácido acetilsalicílico é indicado em gestantes de alto risco, enquanto micofenolato de mofetila, metotrexato, leflunomida e ciclofosfamida são formalmente contraindicados. Agentes biológicos requerem suspensão durante a gestação. Desse modo, gestar com LES é possível, mas exige planejamento pré-concepcional rigoroso, seleção criteriosa de medicamentos e acompanhamento farmacoterapêutico estruturado, integrado à equipe multiprofissional.