Introdução: A Atenção Primária à Saúde (APS), por ser a porta de entrada preferencial do Sistema Único de Saúde (SUS), desempenha papel fundamental na identificação, manejo e acompanhamento de pessoas em uso de psicotrópicos. Entretanto, a efetividade desse cuidado é limitada por fatores como a formação insuficiente dos profissionais em saúde mental, o estigma relacionado aos transtornos mentais e a fragilidade da articulação entre a APS e a Rede de Atenção Psicossocial. Objetivo: Promover o uso seguro e racional de medicações psicotrópicas entre pacientes acompanhados na APS. Metodologia: Trata-se de uma pesquisa-ação, de abordagem qualitativa, realizada na Unidade Básica de Saúde Alto da Jaqueira. Participaram cinco pacientes em uso de psicotrópicos e quinze profissionais da equipe multiprofissional, selecionados por amostragem por conveniência. A coleta de dados ocorreu durante o acompanhamento na APS, utilizando questionários, entrevistas semiestruturadas e diário de campo. Como intervenção, foram realizadas rodas de conversa entre janeiro e fevereiro de 2026, com foco na educação em saúde e no uso racional de psicotrópicos. Resultados: Observou-se conhecimento limitado dos usuários sobre as medicações, especialmente quanto aos riscos, efeitos adversos e interações medicamentosas. Também foram identificados relatos de automedicação, uso inadequado e aquisição de medicamentos sem prescrição, aumentando o risco de dependência, intoxicação e agravamento do quadro clínico. Os participantes manifestaram interesse em maior acompanhamento por psiquiatras e psicólogos, embora ainda relacionem a estabilidade clínica predominantemente ao tratamento medicamentoso. Conclusão: A educação em saúde, a capacitação profissional e o monitoramento contínuo favorecem o uso seguro de psicotrópicos, reduzem riscos, fortalecem a adesão ao tratamento, promovem a autonomia dos pacientes e reforçam o papel da APS na coordenação do cuidado em saúde mental.