Introdução: A crescente medicalização da assistência à saúde observada nas últimas décadas tem contribuído para a redução da autonomia dos pacientes, especialmente no campo da saúde ginecológica e obstétrica, onde ainda são frequentes intervenções desnecessárias e relatos de experiências negativas no processo de parto. No contexto da assistência pré-natal realizada na Unidade Básica de Saúde Sítio Jardim, foram identificadas, durante atendimentos clínicos, falas recorrentes de puérperas e parturientes que expressavam percepções de perda de protagonismo e insegurança em relação ao parto. Objetivo: Diante dessa realidade, foi proposta uma intervenção voltada à elaboração e implementação de um modelo de plano de parto adaptado às necessidades da comunidade local. Metodologia: A intervenção foi desenvolvida com base na metodologia de pesquisa-ação e incluiu a realização de uma roda de conversa com gestantes acompanhadas pela unidade, com o objetivo de identificar dúvidas, expectativas e percepções sobre o processo de parto. As informações obtidas subsidiaram a construção de um modelo inicial de plano de parto, posteriormente apresentado e discutido com a equipe do hospital de referência para adequação às práticas assistenciais locais. A partir desse processo, elaborou-se uma versão aprimorada do instrumento, passível de atualização contínua. Resultado e discussão: A análise dos dados revelou que grande parte das incertezas relatadas pelas gestantes estava relacionada à fragilidade da comunicação entre a comunidade e o serviço hospitalar de referência. Durante visita ao hospital, não foram identificadas práticas que confirmassem as situações de desrespeito relatadas. Como estratégia de enfrentamento, foram pactuadas visitas das gestantes à maternidade de referência e a realização de novas rodas de conversa para fortalecimento da educação em saúde. Conclusão: Conclui-se que a intervenção contribuiu para aproximar as gestantes do serviço de referência e promover espaços de diálogo capazes de ampliar o conhecimento e a autonomia das mulheres no processo de parto.