O câncer constitui um importante desafio para a saúde pública, estando entre as principais causas de mortalidade no mundo. Entre os fatores modificáveis envolvidos em sua etiologia, destacam-se os hábitos alimentares, especialmente o crescente consumo de alimentos ultraprocessados (AUPs), caracterizados por baixa qualidade nutricional, elevada densidade energética e alto teor de aditivos e contaminantes químicos. Este estudo teve como objetivo analisar as evidências epidemiológicas sobre a associação entre o consumo de AUPs e a incidência de câncer. Trata-se de uma revisão integrativa da literatura, realizada por meio de buscas nas bases de dados ScienceDirect, SciELO e PubMed, utilizando os descritores "alimentos ultraprocessados", "câncer" e "epidemiologia" e seus respectivos termos em inglês. Foram incluídos artigos científicos, revisões sistemáticas, metanálises e documentos institucionais publicados em português ou inglês entre 2000 e 2025, sendo excluídos estudos duplicados e aqueles que não abordavam o tema de interesse. Os resultados demonstram associações positivas, embora ainda limitadas, entre o consumo de AUPs e o aumento do risco de diferentes tipos de câncer. Os principais mecanismos envolvidos incluem estresse oxidativo, alterações hormonais e maior exposição a substâncias com potencial carcinogênico. Conclui-se que a redução do consumo de alimentos ultraprocessados pode contribuir para a diminuição dos fatores de risco para o desenvolvimento de câncer, embora sejam necessários estudos mais robustos para esclarecer essa relação.