A transição para a idade adulta jovem constitui uma etapa marcada por alterações psicossociais, exigências de autonomia e maior exposição a fatores de vulnerabilidade emocional. Neste contexto, a literacia em saúde mental assume particular relevância, na medida em que favorece o reconhecimento precoce de sinais de sofrimento, a redução de atitudes estigmatizantes e a procura adequada de apoio. Contudo, a literatura evidencia que o conhecimento teórico sobre saúde mental nem sempre se traduz em comportamentos efetivos de autocuidado ou numa ativação atempada das redes formais de cuidados. Este trabalho de natureza teórico-conceptual, com base numa revisão simples da literatura, visa explorar a relação entre literacia em saúde mental, estigma, procura de ajuda e autocuidado na população adulta jovem, enquadrando esta discussão na Teoria do Défice de Autocuidado de Dorothea Orem. A reflexão desenvolvida reforça o papel da Enfermagem Comunitária na criação de estratégias de proximidade, comunicação clara e apoio-educação, capazes de capacitar os jovens para uma gestão mais consciente do seu bem-estar psicológico. Conclui-se que a promoção da literacia em saúde mental deve ultrapassar a mera transmissão de informação, integrando ferramentas práticas que favoreçam a autonomia, a resiliência e o acesso precoce aos cuidados.