A formação de médicos com domínio técnico sólido, raciocínio clínico apurado e postura ética e humanista é uma das tarefas mais exigentes do ensino superior em saúde. Este capítulo argumenta que a polarização entre ensino tradicional e Aprendizagem Baseada em Problemas (ABP) tem custado à educação médica mais do que tem contribuído. Com base em revisão integrativa da literatura, demonstra-se que o ensino tradicional oferece base conceitual estruturada e sistematização indispensável nos conteúdos densos do ciclo básico, enquanto a ABP converte esse conhecimento em raciocínio clínico aplicado, autonomia e trabalho em equipe. Nenhum dos modelos, isoladamente, responde às exigências das Diretrizes Curriculares Nacionais; unidos de modo planejado, formam um projeto pedagógico mais robusto do que qualquer um ofereceria sozinho. O capítulo organiza esse argumento em cinco eixos e propõe uma perspectiva de coexistência curricular planejada.