Na assistência em saúde mental, no Brasil, percebe-se a coexistência do modelo da psiquiatria tradicional e do modelo de atenção psicossocial, o que gera um tensionamento constante entre lógicas diferentes de cuidado, tanto na prática, quanto no ensino. Tanto que apesar da necessidade de uma formação sólida em saúde mental devido às grandes demandas vinculadas ao campo na atualidade, as escolas médicas têm encontrado dificuldade na incorporação do ensino em saúde mental ao curso. Esse estudo busca analisar a concepção dos estudantes de medicina acerca do adoecimento psíquico. Trata-se de um estudo de abordagem qualitativa, do tipo pesquisa narrativa realizado com discentes de medicina de uma universidade pública brasileira. Os dados foram coletados por meio de formulário do google forms e analisados mediante a hermenêutica dialética. Os estudantes narraram a sua concepção acerca do adoecimento psíquico, tanto numa perspectiva que privilegia o modelo biomédico, quanto com base no modelo de atenção psicossocial. Evidencia-se a necessidade de capacitar os discentes do curso de medicina tanto na teoria, quanto na prática, com o fim de que a atuação dos futuros profissionais considere a importância do cuidado centrado na pessoa, baseado na clínica ampliada e apoiado nos preceitos da Reforma Psiquiátrica brasileira.