O capítulo analisa o papel da assistência pré-natal na redução da mortalidade materna evitável no Brasil, destacando que, apesar da ampliação da cobertura pré-natal nas últimas décadas, os índices de mortalidade materna permanecem elevados devido a falhas na qualidade da assistência e às desigualdades sociais, territoriais e étnico-raciais. A revisão integrativa evidenciou que fatores como ausência de acompanhamento adequado, identificação tardia de riscos gestacionais, dificuldade de acesso aos serviços especializados e precariedade estrutural da rede de saúde contribuem significativamente para os óbitos maternos. Mulheres negras, indígenas, pobres e residentes em regiões periféricas ou rurais apresentam maior vulnerabilidade. Além disso, complicações hipertensivas, hemorragias e infecções permanecem entre as principais causas de morte materna. O estudo destaca a importância de estratégias como fortalecimento da Atenção Primária à Saúde, qualificação profissional, vigilância epidemiológica e implementação de políticas públicas, como a Rede Cegonha e o Previne Brasil, para garantir assistência pré-natal integral, humanizada e resolutiva. Conclui-se que a redução da mortalidade materna exige não apenas ampliação do acesso ao pré-natal, mas também melhoria da qualidade do cuidado e enfrentamento das desigualdades estruturais.