A Doença Hepática Esteatótica Associada à Disfunção Metabólica (MASLD) configura-se como a hepatopatia crônica de maior prevalência global, afetando aproximadamente 38% dos adultos e impondo crescente ônus clínico e econômico. Na ausência de farmacoterapia universal aprovada, as intervenções dietéticas assumem papel central no manejo da doença. A dieta baseada em plantas (DBP) emerge como estratégia de particular relevância clínica, por atuar simultaneamente sobre múltiplos alvos fisiopatológicos: modulação da lipogênese de novo (DNL) via inibição de SREBP-1c e acetil-CoA carboxilase (ACC); ativação do receptor nuclear PPAR-? com consequente estímulo à ?-oxidação mitocondrial; substituição proteica com impacto no eixo mTOR/mitofagia/resistência à insulina; e restauração da microbiota intestinal com produção aumentada de ácidos graxos de cadeia curta (AGCCs). Esta revisão narrativa analisa, com base em evidências científicas publicadas entre 2020 e 2025, os mecanismos bioquímicos subjacentes à eficácia da DBP na MASLD, integrando as recomendações das principais diretrizes internacionais e nacionais, incluindo as diretrizes EASL-EASD-EASO (2024) e a Diretriz Brasileira SBEM-SBH-ABESO (2023). Os resultados convergem para a conclusão de que a DBP é uma intervenção mecanisticamente fundamentada, clinicamente eficaz e alinhada ao estado da arte do manejo não farmacológico da MASLD.